O novo modelo de dados que muda a jornada de crédito.
Como Open Finance, dados de emprego e pagamentos inteligentes transformam cada etapa da jornada de crédito.
O Brasil tem hoje o menor índice de desemprego de sua história recente: 5,6% ao ano em 2025, o menor da série histórica da PNAD Contínua desde 2012. O mercado de trabalho cresceu, a renda subiu, e o país nunca teve tantas pessoas ocupadas. E ainda assim, uma parcela expressiva dessas pessoas segue invisível para o sistema de crédito convencional.
O paradoxo é estrutural e mais amplo do que parece à primeira vista.
São 38,5 milhões de trabalhadores informais, que representam 37,5% de toda a força de trabalho do país. Somam-se a eles 26,2 milhões de trabalhadores por conta própria e mais de 13 milhões de MEIs ativos. São motoristas de aplicativo, eletricistas, freelancers. Pessoas com renda real, compromissos honrados e score insuficiente para acessar crédito compatível com sua capacidade de pagamento.
O jovem que acabou de assinar sua primeira carteira, mas ainda não tem histórico bancário suficiente para gerar um score confiável. O profissional que migrou do regime CLT para PJ e perdeu o vínculo formal que sustentava sua análise. O servidor público recém-empossado com renda estável e previsível, mas sem rastro de crédito anterior. O modelo convencional interpreta ausência de histórico como presença de risco.
As fontes convencionais de score foram desenhadas para um mercado de trabalho que quase já não existe mais: o do trabalhador com carteira assinada de longa data, salário fixo e histórico bancário contínuo. O Brasil de hoje é outro. Mais fragmentado, mais autônomo, mais difícil de ler pelos modelos antigos.
É nessa lacuna que mora a oportunidade e o risco.
O score de crédito cumpre uma função legítima. Ele sintetiza décadas de comportamento financeiro em um número que permite padronizar decisões em larga escala, reduzir tempo de análise e criar previsibilidade no processo de concessão. Para o perfil que ele foi desenhado para avaliar, ele funciona bem. O score é calculado a partir de seis pilares principais:
↑ passe o mouse para ver cada pilar
Em outras palavras, o modelo é essencialmente retrospectivo: ele avalia quem você foi como tomador de crédito, não quem você é como pagador hoje. Isso funciona bem para quem tem histórico longo, contínuo e formalizado. Mas para uma fatia crescente da população brasileira, esse histórico simplesmente não existe da forma que o modelo reconhece, portanto obter dados alternativos para ter visibilidade sobre fontes de renda, padrões de gastos e fluxo de caixa é agora uma necessidade competitiva.
Nos modelos anteriores de score, a pontuação era atualizada em intervalos fixos. Mesmo com evoluções recentes que permitem atualizações mais frequentes, o comportamento financeiro cotidiano, como o fluxo de caixa real e a regularidade dos recebimentos, continua invisível para o modelo. O score captura eventos registrados, não comportamento vivo.
Uma pessoa que perdeu o emprego há três meses ainda pode ter um score alto, porque os dados ainda não refletem a deterioração. Mudanças no score podem levar até 12 meses para refletir melhorias consistentes. O modelo olha para o retrovisor quando a decisão precisa olhar para a estrada.
O score captura eventos registrados, não comportamento vivo. Quem perdeu o emprego há três meses ainda pode ter score alto e quem regularizou sua vida financeira pode seguir penalizado por anos.
"Mais do que aprovar ou reprovar, os dados de Open Finance nos ajudam a entender a realidade do cliente e a orientar um plano de ajuste financeiro capaz de tornar o crédito uma conquista possível e sustentável."
Quando uma instituição acessa o fluxo financeiro real de um tomador por meio do Open Finance e combina esse sinal com dados de emprego e renda (INSS), ela passa a enxergar dimensões do perfil de risco que simplesmente não existem no modelo convencional.
Avalia eventos já consolidados. Funciona para histórico longo, contínuo e formalizado, e silencia diante de quem nunca acessou o sistema. Silêncio que é quase sempre lido como risco.
O Open Finance mostra o dinheiro se movendo; o INSS explica de onde ele vem e por quanto tempo continuará vindo. Fluxo de caixa real, padrão transacional, sazonalidade e reserva, ancorados por vínculo empregatício e renda.
O dado transacional de uma conta bancária revela muito mais do que débitos e créditos. Ele revela padrões: a regularidade dos recebimentos, a proporção entre renda e gastos essenciais, a reserva mantida ao longo do mês.
É o comportamento financeiro vivo, exatamente o que o score estático não consegue capturar.
O mesmo dado, quatro perfis de risco distintos.
Uma das maiores simplificações do modelo convencional é tratar a informalidade como uma categoria homogênea de risco. Na prática, há diferenças estruturais enormes entre os perfis agrupados sob o mesmo rótulo de "sem vínculo formal".
Em fevereiro de 2026, o sistema reunia mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas e 154 milhões de consentimentos ativos. Entre 2024 e 2025, o crescimento de consentimentos únicos foi de 143%.
Apenas entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, o número de consentimentos evoluiu de 43 para 62 milhões, crescimento de 44% no período.
A infraestrutura regulatória está construída, supervisionada pelo Banco Central, operando sob LGPD e com padrões técnicos robustos. O gargalo não está na disponibilidade dos dados. Está na capacidade de transformá-los em inteligência acionável dentro das jornadas de crédito.
O mesmo sinal que aprova um tomador é o que o monitora e o que orienta sua recuperação.
Explore cada etapa do ciclo
Com Open Finance, a verificação de titularidade acontece em instantes, sem micro depósitos, sem documentos que chegam atrasados ou adulterados. A confirmação de identidade, o histórico transacional e os dados de renda vêm direto da conta, com consentimento e dentro do marco do Banco Central.
O dado que verifica a identidade é o mesmo que alimenta a análise de crédito. Agregando todas as fontes de renda, de CLT a informal, a instituição enxerga a real capacidade de pagamento de perfis que antes eram "sem informação suficiente". Não é assumir mais risco: é medir melhor o risco que sempre esteve lá.
A lógica de dados que aprova deve ser a mesma que monitora. Com dados do INSS em tempo real, a perda de vínculo empregatício é identificada no momento em que acontece, antes de qualquer atraso. Limites deixam de ser estáticos e passam a se ajustar ao comportamento do tomador.
O motor de cobrança observa o saldo várias vezes ao dia e aciona o Pix Inteligente assim que a regra é satisfeita, no valor total ou parcial. Débitos regularizados nas duas primeiras semanas após o vencimento praticamente não geram perda. Quem chega primeiro, com o dado certo, recupera mais.
O processo de KYC é a primeira interação real entre a instituição e o tomador. E é também onde uma parcela significativa das oportunidades se perde. Fluxos de cadastro que levam mais de 15 minutos têm taxa de abandono muito alta. Cada etapa manual é uma porta que se fecha antes que a análise de risco sequer comece.
Com o Open Finance, a confirmação de identidade, o histórico transacional e os dados de renda vem direto da conta, com consentimento regulamentado pelo Banco Central.
A proposta não é substituir o score convencional. É complementá-lo com uma arquitetura de dados mais rica. Cada camada resolve uma limitação das outras.
O score convencional carrega décadas de calibração e serve como referência inicial de perfil de risco, onde o histórico existe.
O Open Finance traz dados transacionais dos últimos 3, 6 ou 12 meses, que mostram o comportamento financeiro real do tomador naquele momento.
Os dados de emprego (INSS) confirmam se a renda que aparece nas transações tem origem formal, previsível e contínua, ou se está sujeita a volatilidade.
Cada camada resolve uma limitação das outras. O score estático não captura a situação atual, o Open Finance resolve isso. O Open Finance não distingue renda formal de informal com a mesma precisão, os dados de emprego resolvem isso. E o score convencional garante que o modelo mantenha consistência com o histórico de crédito existente, onde ele for relevante. Com análise baseada em dados transacionais via Open Finance, é possível aprovar até 20% mais proponentes mantendo o perfil de risco atual da carteira. Não se trata de assumir mais risco, mas de medir melhor o risco que sempre esteve lá.
O risco de uma carteira não para de mudar no momento em que o contrato é assinado. Um tomador aprovado com um bom perfil em janeiro pode estar em situação muito diferente em junho. E na maioria das carteiras hoje, a instituição só vai descobrir isso quando a primeira parcela atrasar. Esse é o custo do monitoramento pontual: ele é reativo por design.
Redução progressiva do saldo médio ao longo de três meses consecutivos. Mudança no padrão de gastos, com aumento em categorias essenciais como alimentação e farmácia. Saques em dinheiro com regularidade em uma conta que antes operava via Pix e débito. Aumento no uso do cheque especial ou do rotativo. Esses sinais não substituem o dado de atraso. Eles o antecipam.
Com acesso a dados de emprego do INSS em tempo real, a instituição pode identificar a perda de vínculo no momento em que ela acontece, antes de qualquer impacto nas transações bancárias e muito antes do primeiro atraso. Isso transforma um evento reativo em uma oportunidade de ação preventiva: contato proativo, renegociação, ajuste de limite ou revisão de prazo enquanto o tomador ainda está em condições de responder.
A queda progressiva do saldo, a mudança no padrão de gastos, a perda de vínculo no INSS: sinais que aparecem semanas antes do primeiro atraso. Monitorar o comportamento é monitorar o risco antes que ele se materialize.
Não se trata de assumir mais risco, mas de medir melhor o risco que sempre esteve lá.
A cobrança é onde o ciclo de crédito se fecha. E é também onde a maioria das instituições ainda opera com a lógica mais antiga de todo o processo: uma régua de datas fixas, disparos em sequência e a esperança de que o devedor responda antes que a dívida envelheça. O problema não é falta de esforço. É falta de dados.
A régua de cobrança convencional ignora completamente o contexto financeiro do devedor no momento da abordagem. Ela dispara na data certa do calendário, não no momento certo para a conta bancária. O resultado é previsível: tentativas em conta zerada, comunicações ignoradas, custo operacional alto e taxa de recuperação baixa.
Segundo o Gitnux 2025 Debt Collection Report, empresas que adotam IA e automação nos processos de cobrança registram resultados expressivos:
O caminho entre "há saldo na conta" e "a parcela foi paga" passou a ser direto, automático e instantâneo. Sem boleto para escanear, mensagem para responder ou ligação para atender.
Há casos em que o devedor precisa de negociação, de um parcelamento diferente, de um prazo ajustado ou simplesmente de uma conversa empática que respeite o momento que está vivendo. É exatamente aqui que a cobrança com IA entra como camada complementar.
Agentes de IA que se conectam ao Open Finance identificam quando há dinheiro disponível na conta do devedor, analisando saldo disponível, timing de recebimentos e sinais de comportamento financeiro, e só abordam quando há real capacidade de pagamento. A negociação acontece por WhatsApp ou voz, 24 horas por dia, com tom e proposta adaptados ao perfil financeiro de cada devedor, sem estrutura de call center e sem custo fixo por atendente. O devedor se sente tratado com respeito, não pressionado, o que preserva o relacionamento com a instituição mesmo em um momento de inadimplência.
O mesmo dado que aprova o crédito é o que torna a estratégia de cobrança mais inteligente. A instituição que conhece o padrão de recebimentos do tomador sabe quando o salário cai, quando ele usa mais o Pix, qual a sazonalidade da renda, e calibra a cobrança ao perfil real de cada devedor. Assista à demonstração no podcast do Let's Money.
Assistir demo"O dado que aprova o crédito na largada é o ativo mais valioso na hora de recuperá-lo. Ao unir os sinais de Open Finance com agentes de IA, a instituição deixa de depender da capacidade humana e de um call center. Ela passa a ter um negociador autônomo e incansável, que entende o fluxo de caixa e os hábitos financeiros do cliente, agindo no momento certo."
Os dados para tomar decisões de crédito melhores já existem, a infraestrutura regulatória está construída, e os casos de uso são claros. Por que, então, a adoção ainda é lenta? A resposta honesta é que existem barreiras reais, técnicas, culturais e operacionais, que não desaparecem com boa vontade. Reconhecê-las é o primeiro passo para superá-las.
O dado chega, mas o pipeline que deveria transformá-lo em decisão ainda não foi construído. A barreira não está na regulação. Está na integração com sistemas legados.
"O dado de Open Finance tem uma característica que o score tradicional não oferece: rastreabilidade regulatória em cada etapa do ciclo de vida do dado. Ele nasce com consentimento expresso, trafega por infraestrutura padronizada e supervisionada pelo Banco Central e chega ao modelo com finalidade determinada. A explicabilidade deixa de ser uma reconstrução posterior da lógica decisória e passa a ser inerente ao processo."
O que separa as instituições que vão capturar essa oportunidade das que vão reagir mais tarde não é o acesso à tecnologia. É a disposição para fazer as perguntas certas agora. Antes de qualquer roadmap, há um conjunto de perguntas que revelam onde uma instituição está de verdade na jornada de maturidade de dados.
1Qual percentual dos proponentes que rejeitamos hoje teria sido aprovado com um perfil de risco mais completo?
2Estamos negando crédito por falta de dados ou por falta de dados do tipo certo?
3Quanto tempo leva nosso KYC atual, e quanto desse tempo é gasto em verificações que poderiam ser automatizadas?
1Com que frequência revisamos os limites da carteira ativa?
2Sabemos, em tempo real, quantos tomadores da nossa carteira perderam o vínculo empregatício nos últimos 30 dias?
3Quando descobrimos que um cliente está em dificuldade financeira, é porque ele atrasou ou porque identificamos o sinal antes?
1Nossa régua de cobrança é orientada por datas ou por comportamento financeiro do devedor?
2Sabemos qual é o melhor momento do mês para cobrar cada perfil de cliente?
3Qual é o nosso custo por real recuperado hoje, e como ele se compara com o que seria possível com automação e inteligência de saldo?
1Já ativamos o Open Finance como camada de decisão ou apenas como camada de cadastro?
2Nossos dados de onboarding alimentam o modelo de risco ou ficam em silos separados?
3Se um cliente consentir com o compartilhamento de dados agora, quanto tempo leva até isso influenciar uma decisão de crédito?
A transição para um ciclo de crédito orientado a dados reais não acontece de uma vez. Acontece em camadas, e cada camada gera aprendizado que alimenta a próxima.
Mapear em quais etapas a instituição opera com dados defasados, onde o processo depende de verificação manual que poderia ser automatizada e qual é o custo real de cada etapa de cobrança. Com esse diagnóstico, identificar os quick wins, pontos onde uma intervenção de dados tem retorno rápido e mensurável, sem necessidade de substituir o modelo de risco existente.
Conectar os dados de Open Finance que já existem no onboarding ao modelo de decisão de crédito. Introduzir dados de emprego (INSS) como variável complementar, em paralelo ao score convencional, validando a performance antes de aumentar o peso. Começar a monitorar a carteira ativa com sinais comportamentais. E estruturar a cobrança em torno do comportamento financeiro do devedor, com Pix Inteligente e agentes de IA.
Ter um ciclo de crédito onde o mesmo modelo de dados opera de forma contínua. Onde um tomador aprovado com base em comportamento transacional é monitorado com os mesmos sinais ao longo do contrato. Onde a cobrança usa o conhecimento acumulado sobre o perfil financeiro do cliente para agir no momento certo, pelo canal certo, com a proposta certa. Não é um cenário futurista. É o que algumas instituições já estão construindo agora.
No início deste relatório, apresentamos o paradoxo do bom pagador invisível: dezenas de milhões de brasileiros economicamente ativos que o modelo convencional não consegue enxergar com a clareza necessária para uma decisão justa e precisa. A questão que fica não é filosófica, é competitiva.
Cada um desses tomadores vai conseguir crédito em algum momento. A resposta vai depender de qual instituição teve a disposição de olhar além do score, entender o comportamento real deste cliente e tomar uma decisão melhor com os dados que já estavam disponíveis. O ciclo de crédito mais inteligente não começa com tecnologia, começa com essa decisão.
Open Finance para transformar dados em produtos financeiros de alta performance. Acesse a vida financeira do seu cliente em tempo real e personalize suas ofertas com base em dados concretos, não em suposições.
Opere com uma solução de Open Finance regulada pelo Banco Central e certificada ISO 27001.
Conecte a conta bancária e importe dados cadastrais validados diretamente da instituição de origem.
Traduza dados brutos de diferentes instituições em um feed exclusivo, limpo e enriquecido.
Aumente a precisão da análise, entenda a estabilidade financeira do cliente e reduza riscos.
Agentes de IA que identificam o momento certo para cobrar e negociam por WhatsApp.