Da originação
à cobrança

O novo modelo de dados que muda a jornada de crédito.

Como Open Finance, dados de emprego e pagamentos inteligentes transformam cada etapa da jornada de crédito.

10 capítulosUm ciclo de crédito completo
2026Brasil · Open Finance · Crédito
Trabalhador 1
Trabalhador 2
Trabalhador 3
Trabalhador 4
Trabalhador 5
Trabalhador 6
Trabalhador 7
Trabalhador 8
Trabalhador 9
Role para explorar
01Introdução · O bom pagador invisível

O Brasil nunca teve tanta gente trabalhando. E nunca tantos ficaram invisíveis ao crédito.

O Brasil tem hoje o menor índice de desemprego de sua história recente: 5,6% ao ano em 2025, o menor da série histórica da PNAD Contínua desde 2012. O mercado de trabalho cresceu, a renda subiu, e o país nunca teve tantas pessoas ocupadas. E ainda assim, uma parcela expressiva dessas pessoas segue invisível para o sistema de crédito convencional.

O paradoxo é estrutural e mais amplo do que parece à primeira vista.

0%
de toda a força de trabalho do país é composta por trabalhadores informais
0mi
trabalhadores por conta própria
0mi+
MEIs ativos no país
0mi
novos MEIs só em 2025, alta de 22%, recorde histórico da série
O invisível óbvio

Renda real, score insuficiente

São 38,5 milhões de trabalhadores informais, que representam 37,5% de toda a força de trabalho do país. Somam-se a eles 26,2 milhões de trabalhadores por conta própria e mais de 13 milhões de MEIs ativos. São motoristas de aplicativo, eletricistas, freelancers. Pessoas com renda real, compromissos honrados e score insuficiente para acessar crédito compatível com sua capacidade de pagamento.

O invisível inesperado

O formal que o modelo não enxerga

O jovem que acabou de assinar sua primeira carteira, mas ainda não tem histórico bancário suficiente para gerar um score confiável. O profissional que migrou do regime CLT para PJ e perdeu o vínculo formal que sustentava sua análise. O servidor público recém-empossado com renda estável e previsível, mas sem rastro de crédito anterior. O modelo convencional interpreta ausência de histórico como presença de risco.

Retrato do trabalhador

As fontes convencionais de score foram desenhadas para um mercado de trabalho que quase já não existe mais: o do trabalhador com carteira assinada de longa data, salário fixo e histórico bancário contínuo. O Brasil de hoje é outro. Mais fragmentado, mais autônomo, mais difícil de ler pelos modelos antigos.

É nessa lacuna que mora a oportunidade e o risco.

As fontes convencionais de score foram desenhadas para um mercado de trabalho que quase já não existe mais: o do trabalhador com carteira assinada de longa data, salário fixo, histórico bancário contínuo. Em 2025, a taxa anual de informalidade no Brasil foi de 38,1% da população ocupada e esse número não captura os PJs formalizados, os MEIs ativos ou os profissionais com múltiplas fontes de renda que, no papel, existem, mas cujo comportamento financeiro real o modelo convencional não consegue interpretar adequadamente.

Só em 2025, foram abertos 3,8 milhões de novos MEIs, crescimento de 22% sobre 2024 e recorde histórico da série. O mercado de trabalho brasileiro está se reinventando. O modelo de avaliação de crédito ainda não acompanhou essa transformação.

É nessa lacuna que mora a oportunidade e o risco. Para cada empresa de crédito que enxergar esse cliente antes do concorrente, há um portfólio mais saudável, uma base mais diversificada e um custo de aquisição menor. Para quem não enxergar, o custo é o inverso: aprovar menos, precificar errado, e perder para quem já opera com mais inteligência de dados.

Este relatório não trata de incluir o excluído por razões sociais. Trata de como instituições financeiras e empresas de crédito podem tomar decisões melhores ao longo de toda a jornada de crédito, da originação à cobrança, usando dados que já existem, mas que o modelo convencional não sabe ler.

Feirante brasileiro
02O score estático e os seus pontos cegos

O modelo convencional mede quem você foi. Não quem você é hoje.

O score de crédito cumpre uma função legítima. Ele sintetiza décadas de comportamento financeiro em um número que permite padronizar decisões em larga escala, reduzir tempo de análise e criar previsibilidade no processo de concessão. Para o perfil que ele foi desenhado para avaliar, ele funciona bem. O score é calculado a partir de seis pilares principais:

↑ passe o mouse para ver cada pilar

Em outras palavras, o modelo é essencialmente retrospectivo: ele avalia quem você foi como tomador de crédito, não quem você é como pagador hoje. Isso funciona bem para quem tem histórico longo, contínuo e formalizado. Mas para uma fatia crescente da população brasileira, esse histórico simplesmente não existe da forma que o modelo reconhece, portanto obter dados alternativos para ter visibilidade sobre fontes de renda, padrões de gastos e fluxo de caixa é agora uma necessidade competitiva.

A fotografia chega com 90 dias de atraso

Nos modelos anteriores de score, a pontuação era atualizada em intervalos fixos. Mesmo com evoluções recentes que permitem atualizações mais frequentes, o comportamento financeiro cotidiano, como o fluxo de caixa real e a regularidade dos recebimentos, continua invisível para o modelo. O score captura eventos registrados, não comportamento vivo.

Uma pessoa que perdeu o emprego há três meses ainda pode ter um score alto, porque os dados ainda não refletem a deterioração. Mudanças no score podem levar até 12 meses para refletir melhorias consistentes. O modelo olha para o retrovisor quando a decisão precisa olhar para a estrada.

O retrovisor do score

O modelo olha para o retrovisor

O score captura eventos registrados, não comportamento vivo. Quem perdeu o emprego há três meses ainda pode ter score alto e quem regularizou sua vida financeira pode seguir penalizado por anos.

Os três perfis que o modelo não sabe ler

Há três categorias de tomadores para quem o modelo convencional sistematicamente falha, não porque eles sejam maus pagadores, mas porque seus perfis financeiros não se encaixam no formato esperado.

Perfil 01

O trabalhador com renda informal ou múltiplas fontes

Sem holerite, sem histórico de crédito formalizado, sem vínculo contratual registrado. Mais de 32 milhões de brasileiros trabalham hoje como autônomos, informais ou sem carteira assinada, equivalente a 1 em cada 3 trabalhadores. Sua renda existe. O modelo simplesmente não tem como comprová-la.

Perfil 02

O profissional com histórico curto

O jovem que acabou de entrar no mercado formal, o servidor recém-empossado, o PJ que formalizou a atividade recentemente. O modelo interpreta a ausência de histórico como sinal de risco, quando na prática trata-se de um perfil neutro, os chamados "thin files".

Perfil 03

O tomador que mudou de regime

O CLT que virou PJ, o assalariado que abriu um MEI, o profissional liberal que consolidou sua renda de fontes diversas. Para o modelo convencional, essa transição frequentemente representa uma ruptura de histórico, não uma continuidade.

Score como proxy de passado

O paradoxo mais profundo do modelo convencional é estrutural: ele foi calibrado com dados de quem já acessou o sistema de crédito formal. Quem nunca acessou não tem histórico. Sem histórico, não tem score. Sem score, não acessa crédito. O ciclo se fecha sobre si mesmo.

Isso não é uma falha de calibração, mas sim uma limitação de design. O score estático mede com precisão aquilo para o qual foi construído: o comportamento passado de quem já participou do sistema. Para o restante, dezenas de milhões de brasileiros economicamente ativos, ele não tem resposta, tem silêncio, o que é quase sempre interpretado como risco.

Os três perfis de trabalhadores
"Mais do que aprovar ou reprovar, os dados de Open Finance nos ajudam a entender a realidade do cliente e a orientar um plano de ajuste financeiro capaz de tornar o crédito uma conquista possível e sustentável."
Alex Simas
Alex SimasCTO da LibertaCred
03A nova camada de inteligência · Open Finance + INSS

O score diz quem você foi. O Open Finance mostra quem você é agora.

Quando uma instituição acessa o fluxo financeiro real de um tomador por meio do Open Finance e combina esse sinal com dados de emprego e renda (INSS), ela passa a enxergar dimensões do perfil de risco que simplesmente não existem no modelo convencional.

Score convencional

O passado registrado

Avalia eventos já consolidados. Funciona para histórico longo, contínuo e formalizado, e silencia diante de quem nunca acessou o sistema. Silêncio que é quase sempre lido como risco.

+
Open Finance + INSS

O comportamento vivo

O Open Finance mostra o dinheiro se movendo; o INSS explica de onde ele vem e por quanto tempo continuará vindo. Fluxo de caixa real, padrão transacional, sazonalidade e reserva, ancorados por vínculo empregatício e renda.

Open Finance: o comportamento financeiro em tempo real

O dado transacional de uma conta bancária revela muito mais do que uma sequência de débitos e créditos. Ele revela padrões. Um tomador que recebe renda de forma regular toda semana, mantém reserva de emergência consistente, paga contas essenciais antes de gastos discricionários e não apresenta saques recorrentes de emergência, tem um perfil de comportamento financeiro que o score convencional não consegue capturar.

Quatro variáveis são especialmente relevantes para a análise de crédito. O fluxo de caixa real mostra a entrada e saída efetiva de recursos, independente de como essa renda é classificada formalmente, se CLT, PJ, MEI ou informal. O padrão transacional revela a consistência do comportamento ao longo do tempo: a frequência de pagamentos, a proporção entre renda e gastos essenciais, a regularidade das receitas. A sazonalidade permite identificar perfis de renda variável sem tratá-los como risco: um autônomo que fatura menos em janeiro e mais em dezembro pode ser um excelente pagador se seu comportamento ao longo do ano for consistente. E a reserva, o saldo médio mantido na conta ao longo do mês, funciona como proxy de gestão financeira e colchão de liquidez.

Dados de um teste em andamento com uma empresa de crédito ilustram a riqueza desse sinal na prática. Entre os usuários que conectaram sua conta bancária durante o onboarding, a taxa de conversão de conexão chegou a 82%, com antiguidade média das contas conectadas de 5,6 anos, indicando contas primárias e com histórico relevante, não contas abertas para mascarar o perfil. Em termos de principalidade, 51% das contas conectadas apresentavam alta movimentação e 33% tinham cartão de crédito em uso ativo, sinais fortes de conta principal e não de conta secundária ou inativa.

Na etapa de originação, os insights extraídos do mesmo conjunto de dados mostram o potencial de enriquecimento da decisão: 42% das conexões apresentaram sinais identificáveis de renda, 49% tinham empréstimos em andamento com concorrentes, informação crítica para entender o nível real de endividamento do tomador, e 32% apresentavam gastos recorrentes em plataformas de apostas, um sinal de comportamento financeiro que o modelo convencional nunca veria.

Dados de emprego e renda: a âncora que o Open Finance não tem sozinho

O Open Finance mostra o dinheiro se movendo. Os dados do INSS explicam de onde ele vem e por quanto tempo continuará vindo. Vínculo empregatício ativo, regime de trabalho, tempo de casa, histórico de contribuições previdenciárias e estabilidade do empregador, são variáveis que mudam radicalmente a interpretação de um fluxo de caixa. Dois tomadores com o mesmo saldo médio mensal e o mesmo padrão transacional podem ter perfis de risco completamente diferentes: um com contrato CLT em empresa sólida e outro com renda de projetos freelance sem contrato formal.

Essa distinção importa especialmente para produtos de crédito com prazo mais longo, onde a capacidade de pagamento futura é tão relevante quanto a atual. Um tomador com vínculo estável tem uma âncora de renda previsível que reduz a volatilidade do risco ao longo do tempo. Um tomador com renda variável pode ser igualmente bom pagador, mas exige um modelo de monitoramento diferente após a concessão.

Dados compartilhados via Open Finance

O dado transacional de uma conta bancária revela muito mais do que débitos e créditos. Ele revela padrões: a regularidade dos recebimentos, a proporção entre renda e gastos essenciais, a reserva mantida ao longo do mês.

É o comportamento financeiro vivo, exatamente o que o score estático não consegue capturar.

O mesmo dado, quatro perfis de risco distintos.

Uma das maiores simplificações do modelo convencional é tratar a informalidade como uma categoria homogênea de risco. Na prática, há diferenças estruturais enormes entre os perfis agrupados sob o mesmo rótulo de "sem vínculo formal".

CLT
PJ
MEI
Autônomo

Sinais de um teste em andamento com uma empresa de crédito

0%
taxa de conversão de conexão de conta no onboarding
0 anos
antiguidade média das contas conectadas, contas primárias
0%
das contas com alta movimentação (principalidade)
0%
das conexões com sinais identificáveis de renda
0%
com empréstimos em andamento com concorrentes
0%
com gastos recorrentes em apostas, invisível ao score
O maior ecossistema de Open Finance do mundo

Em fevereiro de 2026, o sistema reunia mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas e 154 milhões de consentimentos ativos. Entre 2024 e 2025, o crescimento de consentimentos únicos foi de 143%.

Apenas entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, o número de consentimentos evoluiu de 43 para 62 milhões, crescimento de 44% no período.

A infraestrutura regulatória está construída, supervisionada pelo Banco Central, operando sob LGPD e com padrões técnicos robustos. O gargalo não está na disponibilidade dos dados. Está na capacidade de transformá-los em inteligência acionável dentro das jornadas de crédito.

04A jornada de crédito, etapa por etapa

Um modelo de dados, quatro etapas e um ciclo contínuo.

O mesmo sinal que aprova um tomador é o que o monitora e o que orienta sua recuperação.

Explore cada etapa do ciclo

01
Etapa 01
Cadastro
Verificação de identidade e renda em segundos via conexão direta.
02
Etapa 02
Decisão
Aprovar quem o modelo convencional rejeitaria, medindo melhor o risco.
03
Etapa 03
Monitoramento
Do risco pontual ao contínuo, com sinais que antecipam o atraso.
04
Etapa 04
Cobrança
O momento certo, pelo canal certo. Saldo como gatilho.
Etapa 01 · Cadastro
Documento falso deixa de existir

Com Open Finance, a verificação de titularidade acontece em instantes, sem micro depósitos, sem documentos que chegam atrasados ou adulterados. A confirmação de identidade, o histórico transacional e os dados de renda vêm direto da conta, com consentimento e dentro do marco do Banco Central.

−25%
de abandono no cadastro com KYC via conexão direta
Etapa 02 · Decisão
Aprovando quem o modelo convencional rejeitaria

O dado que verifica a identidade é o mesmo que alimenta a análise de crédito. Agregando todas as fontes de renda, de CLT a informal, a instituição enxerga a real capacidade de pagamento de perfis que antes eram "sem informação suficiente". Não é assumir mais risco: é medir melhor o risco que sempre esteve lá.

+20%
de proponentes aprovados mantendo o perfil de risco da carteira
Etapa 03 · Monitoramento
Do risco pontual ao risco contínuo

A lógica de dados que aprova deve ser a mesma que monitora. Com dados do INSS em tempo real, a perda de vínculo empregatício é identificada no momento em que acontece, antes de qualquer atraso. Limites deixam de ser estáticos e passam a se ajustar ao comportamento do tomador.

Tempo
real
A perda de vínculo é identificada antes do primeiro atraso
Etapa 04 · Cobrança
O saldo como gatilho, não o calendário

O motor de cobrança observa o saldo várias vezes ao dia e aciona o Pix Inteligente assim que a regra é satisfeita, no valor total ou parcial. Débitos regularizados nas duas primeiras semanas após o vencimento praticamente não geram perda. Quem chega primeiro, com o dado certo, recupera mais.

−60%
de redução no custo por recuperação com cobrança inteligente + IA
05Cadastro & decisão · Aprovando quem seria rejeitado

A decisão de crédito começa antes da análise de risco. Começa no cadastro.

O processo de KYC é a primeira interação real entre a instituição e o tomador. E é também onde uma parcela significativa das oportunidades se perde. Fluxos de cadastro que levam mais de 15 minutos têm taxa de abandono muito alta. Cada etapa manual é uma porta que se fecha antes que a análise de risco sequer comece.

0%
de abandono no cadastro com KYC via conexão direta
+0%
de proponentes aprovados mantendo o perfil de risco
0%
das fraudes detectadas por inconsistências cadastrais
KYC sem fricção

Documento falso deixa de existir

Com o Open Finance, a confirmação de identidade, o histórico transacional e os dados de renda vem direto da conta, com consentimento regulamentado pelo Banco Central.

Verificação em segundos, não em dias

O modelo tradicional de KYC exige que o tomador comprove identidade e renda com documentos: holerite, extrato bancário em PDF, contracheque. Esses documentos chegam com atraso, podem ser adulterados, e não refletem a situação atual do solicitante. O analista precisa interpretá-los manualmente. O processo leva dias.

Com Open Finance, a lógica se inverte. A verificação da titularidade da conta acontece em instantes, sem a necessidade de movimentar fundos e sem micro depósitos. A instituição recebe diretamente da conta bancária do solicitante a confirmação de identidade, o histórico transacional e os dados de renda em tempo real, com consentimento do usuário e dentro do marco regulatório do Banco Central.

O impacto operacional é imediato: a simplificação do KYC via conexão direta pode reduzir o abandono de cadastro em até 25%. Menos fricção no onboarding significa mais proponentes chegando à etapa de análise, o que por si só já expande a base endereçável sem nenhuma alteração no modelo de risco.

O Brasil registrou mais de 11,5 milhões de tentativas de fraude em 2024, alta de 9,4% em relação ao ano anterior, sendo que 56% dessas tentativas foram detectadas por inconsistências nas informações cadastrais. A verificação direta via conta bancária elimina esse vetor de fraude na origem: não há documento a falsificar quando a informação vem diretamente da instituição financeira do usuário.

Dados de emprego como input da decisão, não só do cadastro

A maior mudança conceitual nesta etapa não é de velocidade. É de escopo. Historicamente, o KYC serve para confirmar quem é o solicitante. Os dados coletados nessa etapa raramente alimentam o modelo de decisão de crédito de forma estruturada. O KYC qualifica o proponente para entrar na fila. A decisão acontece depois, com outros dados.

Essa separação é uma oportunidade perdida. Quando a instituição conecta a conta bancária do solicitante durante o onboarding, ela está coletando exatamente os dados que o modelo de risco precisa: padrão de recebimentos, regularidade de renda, fontes de crédito ativas, comportamento de gastos. É possível agregar todas as fontes de renda, de CLT a empregos informais, para entender a real capacidade de pagamento do usuário. O dado que verifica a identidade é o mesmo que alimenta a análise de crédito.

O mesmo vale para os dados do INSS. Vínculo empregatício ativo, regime de trabalho, histórico de contribuições previdenciárias e estabilidade de renda são informações que mudam radicalmente a leitura de risco de um tomador, especialmente para os perfis que o modelo convencional não sabe ler: o MEI recém-formalizado, o PJ com múltiplos contratos, o trabalhador com renda informal mas fluxo de caixa regular e comprovável.

O modelo em camadas: baseline, sinal corrente e âncora

A proposta não é substituir o score convencional. É complementá-lo com uma arquitetura de dados mais rica. Cada camada resolve uma limitação das outras.

Camada base

Score convencional

Camada corrente

Open Finance

Camada âncora

Dados de emprego (INSS)

Baseline

O score convencional carrega décadas de calibração e serve como referência inicial de perfil de risco, onde o histórico existe.

Sinal corrente

O Open Finance traz dados transacionais dos últimos 3, 6 ou 12 meses, que mostram o comportamento financeiro real do tomador naquele momento.

Âncora de estabilidade

Os dados de emprego (INSS) confirmam se a renda que aparece nas transações tem origem formal, previsível e contínua, ou se está sujeita a volatilidade.

Cada camada resolve uma limitação das outras. O score estático não captura a situação atual, o Open Finance resolve isso. O Open Finance não distingue renda formal de informal com a mesma precisão, os dados de emprego resolvem isso. E o score convencional garante que o modelo mantenha consistência com o histórico de crédito existente, onde ele for relevante. Com análise baseada em dados transacionais via Open Finance, é possível aprovar até 20% mais proponentes mantendo o perfil de risco atual da carteira. Não se trata de assumir mais risco, mas de medir melhor o risco que sempre esteve lá.

BASELINE Score convencional Histórico de crédito registrado + SINAL CORRENTE Open Finance Comportamento financeiro real + ÂNCORA INSS Vínculo empregatício e renda Decisão mais precisa e mais justa
06Monitoramento · Do risco pontual ao risco contínuo

A inadimplência raramente é um evento súbito. É um processo e deixa rastros.

O risco de uma carteira não para de mudar no momento em que o contrato é assinado. Um tomador aprovado com um bom perfil em janeiro pode estar em situação muito diferente em junho. E na maioria das carteiras hoje, a instituição só vai descobrir isso quando a primeira parcela atrasar. Esse é o custo do monitoramento pontual: ele é reativo por design.

Sinais precoces

O que o extrato antecipa

Redução progressiva do saldo médio ao longo de três meses consecutivos. Mudança no padrão de gastos, com aumento em categorias essenciais como alimentação e farmácia. Saques em dinheiro com regularidade em uma conta que antes operava via Pix e débito. Aumento no uso do cheque especial ou do rotativo. Esses sinais não substituem o dado de atraso. Eles o antecipam.

A perda de emprego como gatilho

Agir com antecedência

Com acesso a dados de emprego do INSS em tempo real, a instituição pode identificar a perda de vínculo no momento em que ela acontece, antes de qualquer impacto nas transações bancárias e muito antes do primeiro atraso. Isso transforma um evento reativo em uma oportunidade de ação preventiva: contato proativo, renegociação, ajuste de limite ou revisão de prazo enquanto o tomador ainda está em condições de responder.

Sinais de risco contínuo

O risco que se vê chegar

A queda progressiva do saldo, a mudança no padrão de gastos, a perda de vínculo no INSS: sinais que aparecem semanas antes do primeiro atraso. Monitorar o comportamento é monitorar o risco antes que ele se materialize.

Por que concessão e monitoramento precisam do mesmo modelo de dados?

Há uma assimetria estrutural no modelo tradicional de gestão de carteiras. Na originação, a instituição investe tempo e tecnologia para entender o perfil do tomador com a maior precisão possível. No pós-concessão, esse esforço é abandonado: o monitoramento passa a depender de dados esparsos, revisões periódicas de limite e alertas de atraso que, geralmente, chegam tarde.

O paradoxo é que os dados que tornam a originação mais precisa, fluxo de caixa transacional, padrão de recebimentos, comportamento de gastos, são exatamente os dados que mais importam para monitorar a saúde financeira de um tomador ao longo do tempo. A lógica de dados que aprova deve ser a mesma que monitora. Uma semana de deterioração não detectada pode representar dezenas de contratos migrando para a faixa de risco seguinte.

A perda de emprego como gatilho de alerta antecipado

Entre todos os eventos que antecedem a inadimplência, a perda de vínculo empregatício é um dos mais previsíveis e dos menos monitorados em tempo real. O mecanismo é direto: quando um trabalhador é demitido, o vínculo que existia entre o banco e a folha de pagamento da empresa é rompido, o que significa que a instituição financeira perde sua principal garantia de recebimento.

Em contratos que dependem de desconto em folha, essa ruptura é imediata. Em contratos de crédito pessoal, o efeito aparece com um lag de semanas ou meses, tempo em que o tomador vai consumindo reservas e adiando o reconhecimento do problema. Monitorar o vínculo empregatício é, nesse sentido, monitorar o risco antes que ele se materialize.

Do limite estático ao ajuste dinâmico

A revisão periódica de limites, trimestral ou semestral, foi desenhada para um contexto em que dados frescos eram caros e difíceis de obter. No ambiente atual, onde dados transacionais e de emprego podem ser acessados de forma contínua com consentimento do usuário, essa cadência não é mais uma restrição operacional. É uma escolha.

A alternativa é o ajuste dinâmico: limites que sobem quando o comportamento financeiro do tomador melhora de forma consistente, e que são revisados proativamente quando os sinais de deterioração aparecem. O resultado é uma carteira mais saudável não porque os tomadores melhoraram, mas porque a instituição passou a enxergá-los com muito mais clareza ao longo do tempo.

Não se trata de assumir mais risco, mas de medir melhor o risco que sempre esteve lá.
07Cobrança inteligente · O momento certo, pelo canal certo

Pare de cobrar pelo calendário. Cobre quando o saldo aparece.

A cobrança é onde o ciclo de crédito se fecha. E é também onde a maioria das instituições ainda opera com a lógica mais antiga de todo o processo: uma régua de datas fixas, disparos em sequência e a esperança de que o devedor responda antes que a dívida envelheça. O problema não é falta de esforço. É falta de dados.

A régua de cobrança convencional ignora completamente o contexto financeiro do devedor no momento da abordagem. Ela dispara na data certa do calendário, não no momento certo para a conta bancária. O resultado é previsível: tentativas em conta zerada, comunicações ignoradas, custo operacional alto e taxa de recuperação baixa.

O saldo como gatilho, não o calendário

A lógica da cobrança inteligente parte de uma inversão simples mas poderosa: em vez de cobrar na data prevista e torcer para que haja saldo, monitorar o saldo em tempo real e cobrar no momento em que ele aparece. O motor de cobrança observa o saldo várias vezes por dia e aciona a cobrança via Pix Inteligente assim que a regra definida pela instituição é satisfeita. Se o devedor deve R$500 e tem R$180 disponíveis, o sistema cobra os R$180 automaticamente e segue monitorando o restante, sem nenhuma ação necessária do tomador.

Esse modelo elimina um dos maiores desperdícios operacionais da cobrança convencional: a tentativa em conta vazia. Quando o timing é determinado pelo saldo real e não por um calendário, a taxa de contato efetivo sobe e o custo por real recuperado cai. Débitos regularizados nas duas primeiras semanas após o vencimento praticamente não geram perda financeira. Depois de 30 dias, a taxa de sucesso cai à metade.

Pix Inteligente: zero fricção entre saldo e pagamento

Com o Pix Inteligente, a cobrança é executada via débito recorrente entre contas do mesmo CPF, no valor total ou parcial conforme o saldo disponível, sem boleto para escanear, mensagem para responder ou ligação para atender. O caminho entre "há saldo na conta" e "a parcela foi paga" passou a ser direto, automático e instantâneo. Para a instituição, o impacto é duplo: o custo operacional cai porque a execução é automatizada, e a taxa de recuperação sobe porque a cobrança acontece exatamente quando as condições são favoráveis.

Segundo o Gitnux 2025 Debt Collection Report, empresas que adotam IA e automação nos processos de cobrança registram resultados expressivos:

+0%
de aumento nas taxas de recuperação
0%
de redução nos custos operacionais
0x
de crescimento na produtividade de agentes assistidos por IA
Pix Inteligente

Do saldo ao pagamento, sem fricção

O caminho entre "há saldo na conta" e "a parcela foi paga" passou a ser direto, automático e instantâneo. Sem boleto para escanear, mensagem para responder ou ligação para atender.

08Quando a dívida precisa de conversa · Cobrança com IA

Nem toda dívida se resolve com um Pix. Algumas precisam de conversa.

Há casos em que o devedor precisa de negociação, de um parcelamento diferente, de um prazo ajustado ou simplesmente de uma conversa empática que respeite o momento que está vivendo. É exatamente aqui que a cobrança com IA entra como camada complementar.

Agentes de IA que se conectam ao Open Finance identificam quando há dinheiro disponível na conta do devedor, analisando saldo disponível, timing de recebimentos e sinais de comportamento financeiro, e só abordam quando há real capacidade de pagamento. A negociação acontece por WhatsApp ou voz, 24 horas por dia, com tom e proposta adaptados ao perfil financeiro de cada devedor, sem estrutura de call center e sem custo fixo por atendente. O devedor se sente tratado com respeito, não pressionado, o que preserva o relacionamento com a instituição mesmo em um momento de inadimplência.

Negociação por IA via WhatsApp
+0%
de aumento na taxa de contato assertivo
+0%
de uplift na recuperação
0%
de redução no custo por recuperação
Demo · Let's Money

Assista a demo lançada no Let's Money

O mesmo dado que aprova o crédito é o que torna a estratégia de cobrança mais inteligente. A instituição que conhece o padrão de recebimentos do tomador sabe quando o salário cai, quando ele usa mais o Pix, qual a sazonalidade da renda, e calibra a cobrança ao perfil real de cada devedor. Assista à demonstração no podcast do Let's Money.

Assistir demo
"O dado que aprova o crédito na largada é o ativo mais valioso na hora de recuperá-lo. Ao unir os sinais de Open Finance com agentes de IA, a instituição deixa de depender da capacidade humana e de um call center. Ela passa a ter um negociador autônomo e incansável, que entende o fluxo de caixa e os hábitos financeiros do cliente, agindo no momento certo."
Rafael Noguerol
Rafael NoguerolProduct Strategy Manager na Belvo
0mi
brasileiros inadimplentes hoje. O volume total de dívidas em atraso ultrapassa R$518 bilhões. A eficiência da cobrança deixou de ser uma questão operacional e passou a ser estratégica.
R$9.000 custo mensal por posição de atendimento em call center tradicional, com baixas taxas de contato efetivo.
A pergunta certa não é se vale a pena modernizar a cobrança. É quanto está custando cada mês de atraso nessa decisão.
09Barreiras reais e como superá-las

A infraestrutura existe. A ativação ainda trava.

Os dados para tomar decisões de crédito melhores já existem, a infraestrutura regulatória está construída, e os casos de uso são claros. Por que, então, a adoção ainda é lenta? A resposta honesta é que existem barreiras reais, técnicas, culturais e operacionais, que não desaparecem com boa vontade. Reconhecê-las é o primeiro passo para superá-las.

O gargalo está depois do consentimento

O dado chega, mas o pipeline que deveria transformá-lo em decisão ainda não foi construído. A barreira não está na regulação. Está na integração com sistemas legados.

O problema está no que acontece depois do consentimento

Segundo o FinFacts 2026, estudo do Google Cloud em parceria com a agência R/GA que avaliou as jornadas digitais de 20 instituições financeiras brasileiras, nenhuma delas ofereceu produto ou benefício ao cliente imediatamente após o consentimento de dados via Open Finance, um recuo em relação ao levantamento anterior, quando quatro instituições faziam algum tipo de oferta.

O diagnóstico é preciso: o tempo de integração dos dados para gerar uma oferta relevante é longo o suficiente para que o usuário não identifique valor no ecossistema. A barreira não está na regulação. Está na integração com sistemas legados de decisão de crédito. O dado chega, mas o pipeline que deveria transformá-lo em decisão ainda não foi construído.

Consentimento: benefícios para o cliente e boas práticas

Consentir com o compartilhamento de dados financeiros é um ato de confiança. E confiança se constrói quando o cliente consegue enxergar claramente o que recebe em troca. O maior erro que as instituições cometem é pedir o consentimento sem preparar o usuário para ele. Cerca de 55% dos brasileiros não sabem o que é Open Finance, o que significa que a maioria dos usuários vai chegar na tela de consentimento sem entender o que está acontecendo.

Explique a proposta de valor de forma específica e imediata. Não diga "compartilhe seus dados para uma experiência melhor". Diga "compartilhe seus dados bancários e receba uma análise de crédito em menos de 2 minutos, sem enviar documentos". O benefício precisa ser concreto e acontecer logo depois do consentimento. Contextualizar o momento certo na jornada também importa: o pedido funciona melhor quando o usuário já tem uma intenção clara, como logo após confirmar que quer prosseguir com a análise de crédito.

A instituição deve especificar não só quais dados quer usar, mas também para qual propósito e por quanto tempo. Isso é obrigatório no modelo regulado, mas também é a melhor prática de conversão: transparência reduz abandono. Mostre exatamente quais dados serão acessados, em linguagem simples. "Histórico de transações dos últimos 12 meses" é melhor do que "dados transacionais".

Apesar disso, o crescimento dos consentimentos no Brasil é real, mas a composição revela um gargalo importante: menos de 10% dos consentimentos ativos são de pessoas jurídicas, exatamente o segmento onde o Open Finance tem maior potencial para transformar a análise de crédito de MEIs, autônomos e pequenas empresas. Segundo levantamento da Serasa Experian com 625 empresas, 42% das empresas dispostas a compartilhar dados financeiros apontam o acesso a crédito com melhores taxas como principal motivação, seguido pela busca por visão consolidada das contas (33%) e decisões mais assertivas baseadas em dados (32%).

Quatro aplicações concretas para transformar consentimento em valor

Aprovação expressa com condição visível na tela. O cliente compartilha dados de renda e recebe uma proposta com taxa personalizada em segundos, não "em até 24 horas úteis". A velocidade é o benefício. A transparência é o diferencial.

Limite pré-aprovado como confirmação do consentimento. Assim que o acesso é concedido, o app mostra: "Com base nas suas contas conectadas, você tem R$ X disponível para contratação imediata." O cliente entende na hora o que os dados dele valem para ele, não só para a instituição.

KYC com recompensa tangível. O cliente conecta a conta para completar a verificação e, em vez de só receber um "cadastro verificado", vê na tela um benefício concreto: pontos, milhas ou condição especial na próxima contratação.

Condição diferenciada na primeira operação. Ao conectar a conta, a próxima contratação tem taxa ou IOF reduzido. Funciona como um cupom de boas-vindas, mas ancorado num comportamento de alto valor. Em todos os casos, a regra é a mesma: o benefício precisa ser percebido antes de o cliente fechar o app. Consentimento sem recompensa imediata é consentimento em risco de revogação.

Interpretabilidade dos modelos: o que o regulatório exige

Há um equívoco comum sobre modelos de crédito que incorporam dados transacionais: o de que eles são necessariamente mais opacos do que o score convencional. Na prática, o oposto pode ser verdade. "Renda recorrente identificada nos últimos 12 meses, reserva média de R$ 2.000 e ausência de comprometimento excessivo com dívidas ativas" é uma justificativa de decisão mais intuitiva, mais auditável e mais explicável para o tomador do que um número entre 0 e 1000 gerado por um modelo que ele nunca vai entender.

O Banco Central e a LGPD estabelecem que decisões automatizadas que afetam consumidores precisam ser explicáveis. Dados transacionais de Open Finance, bem estruturados, atendem esse requisito com mais naturalidade do que o score estático, porque as variáveis têm significado concreto e verificável. Técnicas como SHAP values e documentação de features permitem que um modelo rico em dados seja ao mesmo tempo preciso e auditável.

Resistência interna: o gargalo que ninguém anuncia

A barreira mais difícil de superar não está nos dados nem na regulação. Está dentro das próprias instituições, e o nome correto para ela é inércia. Modelos de crédito legados foram desenvolvidos ao longo de anos e carregam um histórico real de calibração e validação. Faz sentido que haja cautela. Mas cautela e paralisia são coisas diferentes, e o custo da segunda raramente aparece no balanço de curto prazo.

A boa notícia é que a transição não precisa ser uma substituição. A abordagem recomendada é de adoção em paralelo: rodar os novos sinais de Open Finance e dados de emprego ao lado do modelo existente, comparar os resultados, validar a performance em ciclos reais de crédito e aumentar gradualmente o peso das novas variáveis à medida que a confiança se consolida. Esse processo preserva a estabilidade operacional enquanto constrói evidência interna para a mudança.

"O dado de Open Finance tem uma característica que o score tradicional não oferece: rastreabilidade regulatória em cada etapa do ciclo de vida do dado. Ele nasce com consentimento expresso, trafega por infraestrutura padronizada e supervisionada pelo Banco Central e chega ao modelo com finalidade determinada. A explicabilidade deixa de ser uma reconstrução posterior da lógica decisória e passa a ser inerente ao processo."
Jéssica Cunha
Jéssica CunhaLegal & Regulatory Specialist na Belvo
10O que fazer agora

Os dados para decisões de crédito melhores já existem.

O que separa as instituições que vão capturar essa oportunidade das que vão reagir mais tarde não é o acesso à tecnologia. É a disposição para fazer as perguntas certas agora. Antes de qualquer roadmap, há um conjunto de perguntas que revelam onde uma instituição está de verdade na jornada de maturidade de dados.

Originação

1Qual percentual dos proponentes que rejeitamos hoje teria sido aprovado com um perfil de risco mais completo?

2Estamos negando crédito por falta de dados ou por falta de dados do tipo certo?

3Quanto tempo leva nosso KYC atual, e quanto desse tempo é gasto em verificações que poderiam ser automatizadas?

Monitoramento

1Com que frequência revisamos os limites da carteira ativa?

2Sabemos, em tempo real, quantos tomadores da nossa carteira perderam o vínculo empregatício nos últimos 30 dias?

3Quando descobrimos que um cliente está em dificuldade financeira, é porque ele atrasou ou porque identificamos o sinal antes?

Cobrança

1Nossa régua de cobrança é orientada por datas ou por comportamento financeiro do devedor?

2Sabemos qual é o melhor momento do mês para cobrar cada perfil de cliente?

3Qual é o nosso custo por real recuperado hoje, e como ele se compara com o que seria possível com automação e inteligência de saldo?

Dados

1Já ativamos o Open Finance como camada de decisão ou apenas como camada de cadastro?

2Nossos dados de onboarding alimentam o modelo de risco ou ficam em silos separados?

3Se um cliente consentir com o compartilhamento de dados agora, quanto tempo leva até isso influenciar uma decisão de crédito?

Roadmap de médio prazo: do diagnóstico à decisão

A transição para um ciclo de crédito orientado a dados reais não acontece de uma vez. Acontece em camadas, e cada camada gera aprendizado que alimenta a próxima.

1
Curto prazo
3 a 6 meses · Diagnóstico

Entender onde está a perda de valor

Mapear em quais etapas a instituição opera com dados defasados, onde o processo depende de verificação manual que poderia ser automatizada e qual é o custo real de cada etapa de cobrança. Com esse diagnóstico, identificar os quick wins, pontos onde uma intervenção de dados tem retorno rápido e mensurável, sem necessidade de substituir o modelo de risco existente.

2
Médio prazo
6 meses a 1 ano · Integração

Conectar os dados ao modelo de decisão

Conectar os dados de Open Finance que já existem no onboarding ao modelo de decisão de crédito. Introduzir dados de emprego (INSS) como variável complementar, em paralelo ao score convencional, validando a performance antes de aumentar o peso. Começar a monitorar a carteira ativa com sinais comportamentais. E estruturar a cobrança em torno do comportamento financeiro do devedor, com Pix Inteligente e agentes de IA.

3
Horizonte
1 a 2 anos · Ciclo contínuo

Um modelo de dados, da originação à recuperação

Ter um ciclo de crédito onde o mesmo modelo de dados opera de forma contínua. Onde um tomador aprovado com base em comportamento transacional é monitorado com os mesmos sinais ao longo do contrato. Onde a cobrança usa o conhecimento acumulado sobre o perfil financeiro do cliente para agir no momento certo, pelo canal certo, com a proposta certa. Não é um cenário futurista. É o que algumas instituições já estão construindo agora.

Uma última pergunta

O bom pagador invisível conseguirá crédito. A pergunta é: com quem?

No início deste relatório, apresentamos o paradoxo do bom pagador invisível: dezenas de milhões de brasileiros economicamente ativos que o modelo convencional não consegue enxergar com a clareza necessária para uma decisão justa e precisa. A questão que fica não é filosófica, é competitiva.

Cada um desses tomadores vai conseguir crédito em algum momento. A resposta vai depender de qual instituição teve a disposição de olhar além do score, entender o comportamento real deste cliente e tomar uma decisão melhor com os dados que já estavam disponíveis. O ciclo de crédito mais inteligente não começa com tecnologia, começa com essa decisão.

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