O elo perdido do Open Finance: como transformar consentimento em valor percebido antes de o app fechar

Mariana Araujo

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O elo perdido do Open Finance: como transformar consentimento em valor percebido antes de o app fechar

O Open Finance brasileiro é uma das infraestruturas financeiras mais avançadas do mundo. São mais de 110 milhões de consentimentos ativos, mais de 4 bilhões de chamadas de API por semana e mais de R$1,5 bilhão em transações Pix pelo ecossistema por mês. Os números impressionam.

E, no entanto, poucas empresas de crédito ou instituições financeiras conseguiram transformar esse volume em engajamento real ou em conversão.

O FinFacts 2026, estudo do Google Cloud que avaliou a experiência digital de 20 instituições financeiras brasileiras, trouxe um dado que resume bem o problema: nenhuma das instituições analisadas ofereceu qualquer produto financeiro ou benefício logo após o opt-in do Open Finance. Zero. Das 20. E mais: metade das que prometeram vantagens como incentivo à adesão, não as entregou depois.

Para Alessandro Luz, gerente sênior de marketing do Google Cloud Brasil, o diagnóstico é direto: "O tempo que a instituição leva para integrar os dados e fazer alguma recomendação ou ofertar algo é tão demorado que as pessoas acabam não identificando o valor desse ecossistema."

O problema não é a tecnologia. É o gap entre o momento em que o cliente compartilha os dados e o momento em que algo útil acontece com eles.

Por que o engajamento no Open Finance trava depois do consentimento

Durante anos, o argumento central para convencer o consumidor a aderir ao Open Finance foi: compartilhe seus dados e receba crédito mais barato, produtos mais adequados, condições personalizadas.

É um argumento verdadeiro, mas inútil na prática.

O problema é que esse benefício raramente chega de forma imediata e perceptível. O cliente faz o opt-in hoje. A "oferta melhor" pode aparecer daqui a semanas, num contexto completamente desconectado da ação que a gerou. A relação de causa e efeito se perde. O consumidor não percebe o valor. E na próxima vez que precisar renovar o consentimento, a resposta tende a ser: "pra quê?"

Isso cria um ciclo ruim para todo o ecossistema, e especialmente para empresas e fintechs de crédito, e instituições financeiras que dependem de dados ricos de Open Finance para tomar decisões mais assertivas. Se o cliente não vê razão para compartilhar, o dado não chega. Se o dado não chega, a análise fica pior. Se a análise fica pior, a oferta fica pior. E assim por diante.

Quatro fluxos de produto que convertem consentimento em oferta de crédito imediata

A solução não é inventar algo novo. É aplicar ao Open Finance a mesma lógica que já funciona em outros contextos digitais: recompensa imediata por uma ação específica.

Pense em como funciona um programa de fidelidade num e-commerce. Você cadastra seu cartão e já vê na tela: "500 pontos creditados." A relação é instantânea, visual, satisfatória. Você entende o que ganhou e por quê.

O Open Finance pode, e deveria, funcionar assim. Alguns exemplos concretos:

KYC enriquecido com recompensa na hora. O cliente conecta a conta de outro banco para completar sua verificação de identidade. Em vez de só receber um "cadastro verificado", as empresas de crédito podem oferecer 1.000 pontos convertíveis em milhas, por exemplo. O benefício é tangível, imediato e proporcional ao valor que ele acabou de entregar.

Aprovação expressa com condição visível. O cliente compartilha dados de renda via Open Finance e, em segundos, recebe uma proposta de crédito com taxa personalizada já na tela, não "em até 24 horas úteis", mas agora. A velocidade é o benefício. A transparência é o diferencial.

Limite pré-aprovado como confirmação do opt-in. Assim que o consentimento é concedido, o app mostra: "Com base nas suas contas conectadas, você tem R$ X disponível para contratação imediata." O cliente entende na hora o quanto os dados dele valem, e para ele, não só para a instituição.

Cashback ou desconto em IOF na primeira operação. Para produtos de crédito, o benefício pode ser financeiro e direto: conectou a conta, a próxima contratação tem condição especial. Funciona como um cupom de boas-vindas, mas ancorado num comportamento de alto valor.

A lógica em todos os casos é a mesma: o benefício precisa ser percebido antes de o cliente fechar o app.

Como a qualidade do dado de Open Finance impacta diretamente a concessão de crédito

Quem opera crédito no Brasil sabe que a qualidade do dado de entrada determina quase tudo: a precisão do score, a assertividade da oferta, o risco da carteira. Dados de Open Finance bem explorados permitem enxergar padrão de renda recorrente, comprometimento real de renda, comportamento de pagamento em outras instituições, e muito mais.

Mas há um pré-requisito que muitas vezes fica em segundo plano na discussão técnica: o cliente precisa querer compartilhar. E querer, de verdade, não só clicar em "aceitar" por inércia.

A adesão de qualidade, ativa, recorrente, com múltiplas contas conectadas, só acontece quando o consumidor percebe valor real. E perceber valor real exige que alguém no ecossistema desenhe essa experiência de forma intencional.

Esse é exatamente o espaço onde empresas de crédito e instituições financeiras podem se diferenciar. Não é um problema de regulação nem de infraestrutura, a infraestrutura já existe e está madura. É um problema de design de produto e de estratégia de engajamento. E quem resolver isso primeiro vai ter acesso a dados melhores, de forma mais consistente, do que os concorrentes que ainda dependem de formulários e holerites em PDF.

Open Finance e análise de crédito: a oportunidade que ainda está em aberto

O FinFacts 2026 deixou claro que o ecossistema de Open Finance no Brasil avançou muito em cobertura e volume. O que ainda não acompanhou esse avanço é a experiência de ponta a ponta, especialmente o momento imediatamente após o opt-in, que hoje é uma oportunidade desperdiçada em praticamente todas as instituições.

Para quem está no negócio de crédito, isso é tanto um problema quanto uma abertura. O consumidor já normalizou compartilhar dados em outros contextos. O que ele ainda está esperando é que alguém mostre, de forma clara e imediata, o que ele ganha com isso.

Quando isso acontecer, e as ferramentas para fazer acontecer já estão disponíveis, a curva de adesão vai mudar. E quem estiver posicionado para capturar esse momento vai sair na frente.


A Belvo fornece a infraestrutura de dados de Open Finance que empresas de crédito usam para fechar esse ciclo do consentimento à oferta, em tempo real. Veja como funciona!

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