A arquitetura de dados não é só uma decisão técnica.
Para empresas que utilizam dados financeiros em produtos de crédito, onboarding ou personalização, o modelo de consentimento adotado impacta diretamente três frentes críticas: experiência do usuário, governança e risco regulatório.
À medida que o mercado evolui, esse tema deixa de ser apenas uma escolha de produto e passa a ser uma decisão estrutural de arquitetura.
Dois modelos, impactos diferentes
Com o avanço do Open Finance e o crescimento de soluções baseadas em dados, diferentes abordagens de consentimento começaram a surgir no mercado. Entender suas implicações é essencial para qualquer empresa que opere com dados financeiros.
Consentimento específico (1:1:1)
No modelo de consentimento específico, o fluxo é direto:
Usuário → Empresa específica → Finalidade específica
Isso significa que o usuário sabe exatamente:
- quem acessa seus dados
- para qual finalidade
- por quanto tempo
Esse nível de clareza não apenas fortalece a confiança do usuário, como também simplifica a gestão para as empresas.
Do ponto de vista operacional e regulatório, esse modelo oferece vantagens importantes:
- maior previsibilidade na adaptação a mudanças regulatórias
- menos fricção em auditorias e processos de compliance
- maior clareza na governança do uso de dados
- menor complexidade na revogação de consentimento
Em ambientes regulados, essa combinação reduz incertezas e facilita a escalabilidade.
Consentimento genérico
Em modelos mais amplos, o consentimento pode ser concedido a um intermediário e reutilizado para diferentes usos:
Usuário → Intermediário → Múltiplos usos
Nesse caso, o uso dos dados pode se expandir ao longo do tempo para diferentes finalidades ou parceiros.
Para empresas, isso pode trazer desafios relevantes:
- menor transparência percebida pelo usuário
- maior complexidade na gestão de revogação
- dificuldades adicionais de rastreabilidade e auditoria
- maior exposição a mudanças regulatórias
Na prática, esse modelo tende a aumentar o esforço necessário em áreas como suporte ao cliente, compliance e adaptação de fluxos.
Arquitetura hoje, risco amanhã
Um ponto que vem ganhando cada vez mais relevância é que decisões de arquitetura tomadas hoje, podem se tornar riscos regulatórios no futuro.
À medida que o Open Finance evolui, o mercado caminha para modelos de consentimento mais específicos, com maior controle do usuário e maior exigência de transparência. Nesse contexto, empresas que operam com modelos desalinhados a esses princípios podem enfrentar desafios relevantes ao longo do tempo.
Na prática, isso pode significar a necessidade de reengenharia de fluxos de consentimento, aumento de custos operacionais e maior complexidade para se adaptar a novas exigências regulatórias do mercado. Além disso, a falta de clareza sobre o uso dos dados pode gerar fricções com áreas de compliance, risco e até com o próprio usuário final.
Por outro lado, empresas que já estruturam sua arquitetura com base em consentimentos granulares tendem a ter mais flexibilidade para evoluir, reduzindo incertezas e acelerando a adaptação a novos padrões.
O que empresas devem considerar
Para times de produto, tecnologia e compliance, algumas perguntas passam a ser fundamentais:
- O usuário entende claramente como seus dados estão sendo usados?
- É simples revogar o consentimento
- Existe rastreabilidade completa do uso dos dados?
- A arquitetura atual suporta mudanças regulatórias sem grandes refatorações?
Mais do que boas práticas, essas são decisões que impactam diretamente a operação, o custo e a capacidade de crescimento do negócio.
Construindo para a próxima fase do Open Finance
O Open Finance entra em uma nova fase, na qual confiança e controle do usuário se tornam centrais.
Nesse contexto, o modelo de consentimento deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser parte da infraestrutura que sustenta produtos financeiros.
Na Belvo, acreditamos que o futuro será construído com consentimentos mais específicos, transparentes e sob controle do usuário.
Por isso, nossa infraestrutura já nasce preparada para esse modelo, ajudando empresas a escalar com mais segurança, previsibilidade e confiança.


