O Open Finance no Brasil vive um novo momento. Se nos últimos anos o foco estava na construção da infraestrutura e na qualidade da captura dos dados, o cenário agora é outro: o da inteligência aplicada. No episódio recente do podcast do Let's Money, Leandro Piano, CFO e General Manager da Belvo, detalhou como a empresa deixou de ser apenas um "cano de dados" para se tornar o que ele chama de uma "fábrica de agentes de IA".
Confira os principais insights dessa conversa e como o setor financeiro está sendo redesenhado pela combinação de Open Finance e Inteligência Artificial.
1. O fim da era da infraestrutura pura
Para Leandro, o mercado amadureceu. Não basta mais apenas acessar o dado do cliente; é preciso entregar a solução pronta. Ele destaca que o valor real não está na conexão técnica (endpoint), mas no que se faz com ela.
"O valor do Open Finance não está só em acessar dados, mas em transformar essa informação bruta em inteligência. Nosso motor de categorização traz ordem ao caos."
2. "Ver o filme completo" da vida financeira
Uma das analogias mais poderosas de Leandro Piano durante o podcast foi sobre a visibilidade que o Open Finance traz para as instituições financeiras em comparação aos modelos tradicionais de análise de crédito.
"Usar apenas os modelos tradicionais é como ver metade do filme. Com o Open Finance, a gente consegue ver o filme completo."
Essa visão 360º permite, por exemplo, identificar rendas informais ou sazonais que sistemas antigos ignoravam. Segundo dados citados por Leandro, o Open Finance tem uma capacidade 42% maior de identificar rendas do que os métodos convencionais.
3. A "fábrica de agentes" e a IA agêntica
A grande revelação do episódio foi como a Belvo está usando IA para executar tarefas complexas. Em vez de o banco receber o dado e decidir o que fazer, a Belvo entrega "agentes de cobrança" (como a robô Roberta) que já executam a ação final, como a negociação de dívidas.
"A gente está quase com uma fábrica de agentes ali dentro. O cliente não precisa mais saber qual é o endpoint; ele traz a dor dele e nós temos agentes específicos executando essas ações, seja em cobrança ou fraude."
4. Agentes de IA: Cobrança com contexto
Um exemplo prático discutido foi a automação da cobrança. Através do Open Finance, o agente de IA sabe exatamente quando o cliente recebeu o salário e qual a melhor proposta de parcelamento para aquele momento específico, sem a necessidade de um operador humano.
"A inteligência agora permite ligar para o cliente no momento em que ele tem saldo na conta e ajustar a proposta em tempo real. Isso muda completamente a eficiência da recuperação de crédito."
O próximo Passo: Pix Inteligente
Para Leandro, o horizonte final dessa evolução é o que muitos chamam de "Pix Inteligente" (ou transferências inteligentes). Embora ainda não seja uma realidade plenamente funcional, esse é o próximo grande salto tecnológico que a Belvo está antecipando.
A ideia é que, com a permissão do usuário, a IA não apenas sugira o que fazer, mas execute. Se o "agente" detectar que o cliente vai entrar no cheque especial em um banco, mas tem saldo em outro, ele pode realizar uma varredura e transferir o dinheiro automaticamente para cobrir o saldo.
"O futuro é a automação financeira de verdade. Não é só o banco te avisar que você está sem dinheiro, é ele ter a inteligência e a ferramenta (via Pix e Open Finance) para resolver o problema para você antes que ele aconteça."
Com o Pix Automático e as transferências inteligentes no roadmap, o papel da Belvo como essa "camada de inteligência" se torna o motor que fará o dinheiro se mover da forma mais eficiente possível para o consumidor final.
Quer fazer uma demo dos novos agentes de cobrança com IA da Belvo?


