Belvo

Open Finance: o que é e como funciona o novo modelo

Open Finance: o que é e como funciona o novo modelo

O Open Finance está cada vez mais popular, mas de onde ele vem? Qual é a diferença entre o Open Banking? E como de fato funciona? 

O Open Finance nada mais é do que a evolução natural do Open Banking. Se o segundo corresponde apenas a dados bancários, o primeiro envolve um contexto muito maior de dados financeiros, capaz de atender ainda melhor as necessidades da população latinoamericana, especificamente no Brasil. 

Para entender mais este contexto, precisamos ir desde o problema que o Open Banking vem para resolver.

Baixe agora o estudo “Tendências do Open Finance em 2021”

Historicamente, os dados sobre a vida financeira das pessoas têm sido mantidos fechados por trás das paredes das instituições tradicionais. Por esta razão, nosso entendimento sobre informações financeiras – e o que podemos fazer com elas – tem se limitado quase que exclusivamente aos serviços oferecidos pelos bancos.

Pelo menos até a chegada do Open Banking. Este movimento estabelece o arcabouço regulatório para que os indivíduos possam compartilhar seus dados bancários com terceiros através de APIs (do inglês, Application Programming Interfaces). 

Em outras palavras, isto quer dizer que as pessoas podem ter um canal seguro para compartilhar facilmente suas informações financeiras com outras empresas. Assim, e sempre com a autorização expressa de cada indivíduo, estas empresas podem usar os dados para criar novos produtos financeiros ligados às contas bancárias dos usuários, e que correspondem às suas necessidades financeiras específicas.

Necessidade de mais concorrência

Um dos primeiros exemplos de implementação do Open Banking ocorreu no Reino Unido em 2016. Na época, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) emitiu uma regra que exigia que os nove maiores bancos do país permitissem o acesso direto aos seus dados a empresas iniciantes licenciadas. Eles decidiram fazer isso após um relatório que constatou que os bancos maiores e mais antigos “não precisavam competir o suficiente pelos negócios dos clientes”. 

O Open Banking nasceu então como uma das soluções para fomentar mais inovação e concorrência no setor financeiro. Desde então, muita coisa mudou: muitos outros países adotaram regulamentações semelhantes e novos atores digitais surgiram no mundo todo alavancando estes novos modelos de compartilhamento de dados. 

Porém, a transformação não parou por aí. À medida que a regulamentação do Open Banking foi evoluindo, um novo conceito surgiu: o Open Finance. O termo apareceu pela primeira vez no México, onde as autoridades decidiram estender o escopo para abranger outras informações financeiras além das bancárias. “No México, decidimos chamar de Open Finance porque todas as entidades financeiras terão que compartilhar dados através de APIs padronizadas, não apenas os bancos. Isto abrangerá mais de 2.000 provedores financeiros”, explica Dorian Loyo, especialista da Comissão Nacional Bancária e de Valores (CNBV) do México. Como a situação mexicana é muito parecida com o que ocorre no Brasil, é natural que o termo também esteja evoluindo no país. 

Fontes alternativas de dados financeiros

Sob o paradigma do Open Finance, dados de múltiplas fontes além dos bancos podem ajudar a construir serviços financeiros inovadores e acessíveis. Isto inclui dados financeiros de atores digitais como grandes empresas de tecnologia, fintechs ou plataformas da economia colaborativa (ou gig economy), assim como entidades tradicionais como instituições fiscais, seguradoras, varejistas ou até mesmo fornecedores de serviços públicos como empresas de eletricidade. 

Aumentar o alcance do Open Banking para cobrir essas novas fontes alternativas de dados é um grande passo para a inovação. Com mais acesso, as empresas podem obter uma visão mais precisa da atividade financeira real e das necessidades dos usuários. E assim, desenvolver serviços mais relevantes e sob medida para eles. Porque onde quer que as contas estejam sendo pagas e o dinheiro esteja mudando de mãos, existem dados que podem ajudar a descrever a vida financeira real das pessoas.

  • Isso significa que os usuários podem compartilhar seus dados financeiros – não importa a origem – com terceiros através de APIs a fim de acessar novos produtos e serviços de alto valor agregado adaptados à sua realidade.
  • Os usuários têm a real propriedade de seus dados e liberdade para decidir como e quando eles querem acessar e gerenciar seus dados financeiros, seja dentro de seu aplicativo bancário móvel ou de qualquer outra ferramenta que eles usam em suas vidas diárias.

Um exemplo específico de como isto funciona é a Minu, uma empresa mexicana que está usando dados de plataformas de gig economy para construir serviços financeiros inovadores para seus trabalhadores, graças às APIs de Open Finance. 

2021, o ano do Open Finance

Estas características fazem do Open Finance um ajuste perfeito para a América Latina, uma região onde a vida financeira dos usuários não acontece exclusivamente dentro das paredes dos bancos. Em parte, porque parte da população ainda é mal servida pelas instituições financeiras tradicionais: apenas 51% dos adultos da região são proprietários de contas bancárias. E porque as fintechs estão visando esses clientes com soluções digitais.

De acordo com nosso relatório Open Finance Trends in 2021, onde analisamos como esses modelos estão evoluindo na América Latina, 2021 verá um aumento na adoção de modelos de Open Finance. Este crescimento será impulsionado por vários fatores, segundo especialistas, como um ambiente regulatório mais favorável (particularmente no Brasil e no México) e maior visibilidade sobre seus benefícios entre os usuários finais e as empresas. 

Enquanto 38,4% consideram que a regulamentação continua sendo o maior desafio, 90,2% acreditam que as empresas devem se antecipar e começar a tomar medidas para sua implementação. Os fornecedores de tecnologia, como as plataformas API de Open Finance, ajudarão a construir as infra-estruturas necessárias para torná-la realidade, facilitando uma transição suave para este novo cenário.

Quer saber mais sobre o Open Finance e sua evolução no Brasil e na América Latina? Baixe nosso estudo para mais detalhes.

Compartilhe esse post

Mal podemos esperar para ouvir suas ideias!