Relatório Belvo: como Open Finance e dados de emprego mudam a análise de crédito

Mariana Araujo

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Relatório Belvo: como Open Finance e dados de emprego mudam a análise de crédito

Existe um paradoxo no mercado de crédito brasileiro que poucas empresas de crédito falam abertamente: o menor índice de desemprego da história do país convive com dezenas de milhões de trabalhadores que o modelo convencional de score não consegue avaliar direito.

São 38,5 milhões de trabalhadores informais, 26,2 milhões de autônomos e 13,1 milhões de MEIs ativos. Pessoas com renda real, contas em dia e capacidade de pagamento comprovável. E ainda assim, boa parte dessas pessoas chega numa solicitação de crédito e recebe um "não", porque o modelo não tem dados suficientes para dizer que o risco é baixo.

O problema vai além da informalidade. O jovem que acabou de assinar sua primeira carteira, o servidor público recém-empossado, o CLT que migrou para PJ: todos têm em comum um histórico bancário que o score convencional não sabe ler. Ausência de dados vira presença de risco, mesmo quando ele não existe.

Foi para mapear esse paradoxo, e mostrar o que muda quando as empresas de crédito passam a olhar para os dados certos, que a Belvo produziu o relatório "Da originação à cobrança: o novo modelo de dados que muda a jornada de crédito". O relatório, que você pode ler na íntegra aqui, reúne dados de mercado, análise da jornada completa do lender e um roadmap para instituições que querem começar essa transição agora.

O que muda com Open Finance e dados de emprego

O score convencional é uma fotografia. Ele mostra quem o tomador foi como pagador nos últimos meses, com uma latência de 30 a 90 dias, sem capturar o comportamento financeiro real de quem está do outro lado da decisão.

Open Finance traz outra camada: fluxo de caixa real, padrão de recebimentos, comportamento de gastos por categoria, sazonalidade de renda. Dados que existem, que já estão nas contas bancárias dos tomadores, e que o modelo convencional simplesmente não acessa.

Dados de emprego completam o cenário. Vínculo empregatício ativo, regime de trabalho e estabilidade de renda explicam de onde o dinheiro vem e por quanto tempo continuará vindo, o que muda completamente a leitura de risco para perfis como PJ, MEI e autônomo.

Os três sinais juntos criam um perfil de risco em tempo real: o score convencional como ponto de partida, Open Finance como sinal corrente e dados de emprego como âncora de estabilidade.

Uma jornada inteira, não só a originação

O argumento do relatório não para na aprovação de crédito. Os mesmos dados que melhoram a decisão na originação transformam cada etapa da jornada de empresas de crédito.

No monitoramento, sinais de deterioração financeira, como queda de renda, saques recorrentes e mudança de padrão de gastos, aparecem semanas antes do primeiro atraso. A perda de vínculo empregatício pode ser identificada antes de qualquer impacto nas transações bancárias.

Na cobrança, identificar saldo disponível em tempo real muda a lógica de recuperação: em vez de cobrar na data do calendário e torcer para que haja dinheiro na conta, a instituição cobra no momento em que o dinheiro está lá. Com Pix Inteligente e agentes de IA para negociação, o custo por real recuperado cai e a taxa de recuperação sobe.

O que trava a adoção do Open Finance

O Brasil tem a infraestrutura. São mais de 197 milhões de consentimentos ativos e crescimento de 143% em consentimentos únicos entre 2024 e 2025, de acordo com dados do Open Finance Brasil. O ecossistema é o maior do mundo.

O gargalo é a ativação. Segundo o FinFacts 2026, estudo do Google Cloud com a agência R/GA que avaliou as jornadas digitais de 20 grandes instituições financeiras brasileiras, nenhuma delas ofereceu produto ou benefício ao cliente imediatamente após o consentimento de dados via Open Finance. O dado chega, mas o pipeline que transforma dado em decisão ainda não foi construído pela maioria das instituições.

Há também a resistência interna: modelos legados bem calibrados, times de risco cautelosos e uma mudança cultural que não acontece por decreto. O caminho não é substituir o modelo existente de uma vez. É rodar os novos dados em paralelo, validar a performance em ciclos reais e aumentar o peso gradualmente.

O report completo

"Da originação à cobrança: o novo modelo de dados que muda a jornada de crédito" reúne dez seções com dados de mercado, análise da jornada completa de empresas de crédito e um roadmap de médio prazo para instituições que querem começar a transição agora.

As instituições que saem na frente já estão construindo isso agora. Acesse o relatório e veja por onde começar.

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