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Tudo que você queria saber sobre o Open Banking mas ninguém explicou

Equipe Belvo

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Tudo que você queria saber sobre o Open Banking mas ninguém explicou

A segunda fase do Open Banking começa esta semana e nós listamos algumas das principais perguntas sobre modelo para mostrar como ele vai revolucionar o sistema financeiro no Brasil.

O sistema bancário brasileiro está perto de se transformar completamente. Grandes bancos já estão anunciando as mudanças que o Open Banking, ou o Open Finance em alguns casos, vai trazer, ressaltando os benefícios que os usuários terão ao compartilharem seus dados. 

Com a segunda fase chegando no dia 13 de agosto, e com os holofotes trazendo à tona o assunto, ainda é difícil entender de fato o que é o novo modelo e como ele vai revolucionar muitos aspectos ligados ao sistema financeiro no Brasil.

Para facilitar, falamos com especialistas em Open Banking para responder algumas das perguntas chaves sobre o modelo e explicar como essa transformação financeira se dará, tanto em relação ao usuário quanto às empresas que a usarão para construir novas soluções. 

1. O que, de fato, é o Open Banking?

Antes de começar, vamos deixar claro ao que nos referimos quando falamos de Open Banking. O Open Banking, Banco Aberto em tradução livre, basicamente se trata da possibilidade de “abrir”, de forma consensual, as informações financeiras de um usuário armazenadas em uma entidade para outras instituições, ou seja, realizar o compartilhamento de informações entre entidades financeiras diferentes.

Estas informações vão desde dados cadastrais do próprio usuário até dados transacionais, como movimentações na conta, pedidos de empréstimos, entradas de renda, etc. 

Mas, como funciona essa conexão de forma técnica?

Sabe quando você acessa uma rede social usando a sua conta do Gmail? O que possibilita essa conexão é uma API (interface de programação de aplicativos). Basicamente, um software que permite que você compartilhe as suas informações de uma plataforma para a outra de um jeito fácil e seguro.  

Agora, será possível fazer o mesmo usando a sua conta bancária. Isto é Open Banking. 

A ideia é que com essas ferramentas de software (as APIs), o usuário possa conectar o seu banco com os aplicativos que desejar e consiga compartilhar seus dados financeiros de maneira fácil com outras plataformas.

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2. Por que o usuário optaria por compartilhar dados bancários? É seguro? 

A perspectiva de abrir os dados bancários pode causar uma certa estranheza no usuário, porém, o usuário tem total poder sobre o que quer compartilhar, e com o que pode ser feito com os dados. 

Além disso, os benefícios que o compartilhamento destes dados através do Open Banking pode ser muito vantajoso para o usuário. 

O modelo vem para finalmente quebrar barreiras do setor financeiro, abrindo espaço para a concorrência e permitindo que mais empresas (além dos bancos tradicionais) ofereçam serviços financeiros melhores e mais inclusivos para a população. 

Isto quer dizer que o usuário vai poder comparar as opções antes de decidir por um determinado produto ou serviço financeiro. O que vai obrigar as instituições tradicionais a se atualizarem, à medida em que novas soluções surgirão oferecendo produtos mais modernos e adaptados à realidade de cada indivíduo, e a oferecerem melhores condições para seus clientes. 

O fato de o usuário poder compartilhar seus dados de forma instantânea com qualquer instituição vai melhorar sua experiência na hora de migrar de banco ou de usar uma plataforma financeira pela primeira vez, como um app de gerenciamento de dados, por exemplo.

Outro caso de uso muito claro para o usuário é em relação ao crédito. Hoje em dia, para conseguir ter um empréstimo aprovado, por exemplo, é preciso enfrentar um processo burocrático e exaustivo: preencher diversos formulários, reunir toda a papelada necessária para comprovar renda e apresentar provas de que se é um bom pagador para conseguir a aprovação ou melhores taxas. 

Com o Open Banking, todo esse processo fica infinitamente mais simples. Nada de preenchimento manual de formulários – compartilhar essas informações com que instituição o usuário quiser vai ser tão fácil quanto logar no Instagram. Assim, o modelo ajuda diretamente no aumento do acesso ao crédito

3. E como está o processo de implementação do Open Banking no Brasil?

Diferentemente de muitos aspectos, no quesito Open Banking o Brasil é um dos países que está mais à frente no processo de integração do modelo no mundo todo. Muito de como o processo está sendo estruturado no país segue o modelo que foi estruturado no Reino Unido. Hoje, mais de 2,5 milhões de pessoas por lá usam o Open Banking para movimentar, administrar e aproveitar ao máximo seu dinheiro. E a cada mês, centenas de milhares de empresas criam soluções a  partir do modelo.

Logo, se levarmos em conta, podemos esperar um grande sucesso pela frente.

4. O Open Banking é só para empresas reguladas pelo Banco Central?

Atualmente, estamos vivendo um momento de “pré” Open Banking no Brasil, com uma preparação forte vinda do lado do Banco Central para que todas as instituições reguladas sob o escopo da instituição estejam preparadas para compartilhar os dados dos clientes até 2022. 

Porém, existem dois lados na implementação do Open Banking no país. 

O primeiro é o lado regulado pelo Banco Central que acabamos de mencionar. Nele, o Banco Central dita como os bancos e outras instituições financeiras, obrigatórias ou não, terão que preparar e padronizar suas APIs para o compartilhamento dos dados no país. O processo é constituído de 4 fases, sendo que a segunda começa esta semana e a última deve ser concluída no ano que vem.

Existe um grande grupo, a chamada Estrutura de Governança do Open Banking, que define todo o escopo do modelo no país. Este grupo é formado por representantes de várias instituições que serão impactadas pelo Open Banking e que, em conjunto, tomam decisões a respeito de como será a infraestrutura, quais são os requisitos de segurança na hora de compartilhar os dados, como a jornada do usuário deve ser, entre outros. 

Mas, há também o lado das instituições não reguladas pelo Banco Central, ou seja, empresas que ficam de fora do escopo da instituição mas que já conseguem usar o Open Banking e colher muitos dos benefícios proporcionados pelo modelo antes mesmo da conclusão de todas as fases propostas pelo Banco Central. 

Estas empresas conseguem fazer isso a partir do trabalho de plataformas de APIs de Open Banking, também conhecidas como agregadoras de dados, que atuam como intermediárias no processo de compartilhamento de dados, conectando as fintechs com as APIs dos bancos mesmo sem a padronização pelo Banco Central e promovendo o acesso aos dados.

5. Como funcionam as plataformas agregadoras de dados?

Estas plataformas que atuam paralelamente aos novos modelos estão construindo uma infraestrutura tecnológica independente que conecta os novos atores, instituições financeiras tradicionais e consumidores. 

Impulsionados pelo crescimento do setor fintech, estes fornecedores estão surgindo em diferentes mercados e a demanda por seus serviços está aumentando a um ritmo acelerado. 

O movimento não é só no Brasil.  No mundo, as empresas que oferecem serviços relacionados ao Open Banking já levantaram juntas mais de US$120 milhões em 2021, contra menos de US$400 milhões no ano passado e US$120M em 2016, de acordo com o Dealroom.

Um exemplo é a Belvo, plataforma de APIs de Open Finance para a América Latina que visa facilitar o acesso a dados financeiros a empresas inovadoras. Através de conexões próprias com as APIs dos bancos, a empresa ajuda qualquer aplicativo, tanto de instituição regulada como não regulada, a estabelecer uma conexão com qualquer banco ou instituição financeira para que os usuários possam compartilhar os seus dados.

“A Belvo desenvolve soluções de agregação e enriquecimento de dados. Estamos trabalhando junto à estrutura de governança do Open Banking no Brasil para adaptar nosso produto e ajudar a construir o modelo no país, para que as fintechs brasileiras possam desenvolver novos serviços adaptados ao novo contexto e crescer”.

Albert Morales, Diretor geral da Belvo no Brasil.

6. Já existem empresas usando o modelo no Brasil de forma eficaz? 

Sim, e o número cresce cada dia mais! Por causa dessa possibilidade de conexão com as contas propiciada por estas tecnologias agregadoras, já existem vários casos de uso sólidos de empresas usando dados financeiros através do Open Banking no Brasil. 

Alguns exemplos são o Mobills, app de gestão financeira que permite aos usuários conectarem suas contas bancárias e cartões de crédito ao app de forma automática, a Onze, plataforma de previdência privada corporativa que usa o modelo para automatizar a portabilidade dos planos, ou a Emprex, que usa o Open Banking para conseguir oferecer melhores empréstimos aos usuários.

7. O Open Banking se restringe aos serviços financeiros? 

Por mais que os casos de uso mais populares e óbvios sejam aqueles relacionados à vida financeira do usuário, basicamente qualquer produto que possa se beneficiar de informações vindas de fontes financeiras pode usar o Open Banking para melhorar seus processos. Apps de varejo, por exemplo, podem usar os dados para oferecer melhores sugestões de produto conforme os gastos de um usuário, plataformas de contabilidade ou de gestão empresarial podem melhorar seus processos através das informações extras disponíveis, e assim por diante.

8. Quais os principais desafios da implementação do modelo no Brasil? 

Um dos maiores desafios da implementação do modelo hoje em dia é em relação à complexidade técnica que os bancos vão enfrentar. Não apenas em relação às APIs mas também em relação à própria infraestrutura e aos bancos de dados.

 “Veremos um aumento exponencial na solicitação de acesso aos dados quando os usuários começarem a conceder o acesso a suas informações para as fintechs. Se hoje os usuários se conectam ao aplicativo banco uma vez ou outra, podemos ver esse número subir para dezenas de conexões feitas por apps de terceiros para oferecer novos serviços através do Open Banking”, afirma Albert Morales.

A experiência de outros mercados como o Reino Unido e a Europa mostra que mesmo após a regulamentação do Open Banking and Open Finance se tornar uma realidade na América Latina, o papel de agregadores financeiros ainda será fundamental para permitir que as empresas se adaptem a esses modelos e, mais importante ainda, extraiam dele o máximo valor. 

“Mesmo que as APIs dos bancos sejam liberadas através da regulamentação, as empresas ainda precisarão construir sistemas para se conectar independentemente a cada um deles, processar, padronizar, interpretar e enriquecer essas informações para que estejam prontas para usar dentro de seus modelos de negócios como insights acionáveis”, afirma Morales.

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9. Por que só coletar dados não é o bastante? 

Quanto melhor o dado, melhor a experiência. Esta é a regra quando se trata do Open Banking.

Logo, um segundo desafio diz respeito também à qualidade dos dados que serão compartilhados pelas instituições, que normalmente tendem a deixar a desejar no que tange às descrições das transações. Os bancos normalmente dependem de códigos internos para gerenciar adequadamente os fluxos de dados de sistema para sistema e, em última instância, para trazer informações para seus canais digitais (internet e mobile banking). Também não há padronização entre os produtos financeiros disponíveis de banco para banco. Portanto, tudo isso, em conjunto, cria um desafio maior para quem conseguir acessar os “novos” dados bancários disponíveis, exigindo que haja um enriquecimento em cima destes dados. 

“Compreender os produtos do banco, rotular as transações de entrada/saída, simplificar os nomes dos comerciantes, categorizar, detectar transações recorrentes, rendas, é apenas uma parte do trabalho inicial e complexo que precisa ser feito em cima destas conexões para que os agentes da indústria fintech possam se concentrar em fornecer produtos e serviços financeiros a milhões de usuários no Brasil em diferentes segmentos, desde crédito e empréstimos até gestão financeira pessoal”, afirma Albert Morales.

10. Afinal, é Open Finance ou Open Banking?

Hoje em dia, temos ouvido falar bastante do Open Finance, e qual é a diferença entre ele e o Open Banking. Porém, na verdade, o Open Finance nada mais é do que um passo além, uma extensão do Open Banking, uma vez que propõe o compartilhamento de informações financeiras não bancárias com terceiros através dos mesmos procedimentos baseados em API, tais como informações de seguros ou previdência, dados fiscais ou de utilities, como contas de energia e internet, bem como dados de quaisquer outras aplicações onde realizem transações financeiras, como apps de gig economy como Uber ou Rappi. Basicamente, o Open Finance compreende os dados de qualquer fonte em que houver uma troca financeira.

Este modelo está se tornando cada vez mais popular em países da América Latina, como Brasil e México, onde a população ainda é altamente sub ou desbancarizada e o acesso a fontes de dados alternativas é fundamental para que as empresas possam construir novos produtos ou aplicações inovadoras.

“No caso do Brasil e da América Latina como um todo, quanto mais fontes de dados financeiros se tem na plataforma, melhor será para as empresas que a usam para criar serviços financeiros ou aplicações inovadoras”

Pablo Viguera, co- CEO e cofundador da Belvo.

“É por isso que na Belvo estamos construindo uma plataforma de APIs de open finance, que absorve mais informações do que normalmente se obtém de bancos”, acrescenta.

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